Palavras. Queria variar, mas eram tão somente palavras, que apesar de não terem sido ditas, acabaram proporcionando uma dor maior do que se tivessem sido pronunciadas. Talvez não. Dor de poeta é tão intensa. Mais forte que a de qualquer outro. Por isso não se assombre com elas.
Palavras de poeta, mostra-me o caminho mais curto até o coração daquela que me ouve. Falar de suas qualidades só agravaria o meu estado de desespero. Não posso pensar na sua complexa maquina de sentimentos e gestos que fizeram de mim um amante de seus lábios e de sua lÃngua, um viciado no cheiro do seu cabelo e no toque de suas mãos macias.
Então mostra-me, palavras sem sentimento, como me livrar desse amor e vicio que me corroe por dentro. Que me faz sorrir, mas apenas por fora. Que me faz morrer todos os dias um pouco em saber que aquela que fez despertar o meu amor não é mais minha, se é que um dia já foi. Não lembre. Não faça. Não sinta. O amor dói, ah como dói. Machuca, e como machuca. Sempre aparece acompanhado da loucura e talvez seja ela se manifestando nessas linhas.
Já sei. Falarei dos seus defeitos. Talvez só assim eu volte para o mundo real e perceba que você é só uma pessoa. Como eu e como todas as outras. Que erra, chora e magoa também. Talvez eu perceba que aquele raio de luz amarelo que saia do seu rosto quando sorria, era apenas a luz do sol. E que a sonoridade de sua voz que eu achava mais linda que a de pássaros cantando na fonte dos trevos, não passava de sussurros desafinados.
É, é isso. Acabo de encontrar uma forma de amenizar minha dor. Basta apenas falar dos seus defeitos. Então vamos começar. Devem ser tantos, é... só tem um problema, não lembro de nenhum.

